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Mas é necessário ir mais além, e esse além tem a ver com o teste Joanino.

A confissão precisa encontrar coerência com o “andar”. Um “andar” que revela o “como” se caminha, o como se faz o próprio caminho, com o progredir; o como se vive e regula a própria vida, o conduzir a si mesmo.

O “estar nele” (ou “permanece nele”) precisa encontrar coerência com o “andar como Ele”. O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) ficou conhecido pelo seu método “peripatético” que era o ensinar andando, passeando, caminhando. Jesus fez exatamente assim, especialmente contando estórias (método narrativo/parábolas).

E o apóstolo João parece que empresta essa metáfora (“peripatético”) para propor um teste para aquelas pessoas que dizem “estar nele” (nele Jesus). Eis o teste: “Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1 Jo 2:5-6).

“Nisto sabemos”. “Nisto” no grego é a preposição “em” que denota posição fixa de “lugar, tempo ou estado”. "Nisto" e não naquilo! A posição - o "estar" daqueles que confessam Jesus encontra seu lugar que é “estar nele”. Encontra seu tempo que é o de “permanecer nele” sempre e de modo constante. Encontra também seu estado que é “andar como ele andou”.

Mas que um confessante, esse que “está nele” é um “imitante” (imitatio Christi). E para João, o teste é exatamente esse! Qual? Um cristão de “boca” sem “pés” não é um cristão. Se o que confessa Cristo não anda como Cristo então não é um discípulo de Cristo. A prova de que alguém é um verdadeiro discípulo de Cristo é clara: “esse deve também andar assim como ele andou”. E o que nos denuncia aqui é esse "assim como". Esse "assim como" confronta o "nosso assim como" porque "logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gal 2:20). Acabou pra mim! Acabou! Ou vivo nele e para Ele ou não vivo! Esse é o custo do discípulo autêntico. Ou é ou não, pois "quem comigo não ajunta espalha" (Lc 11:23). 

E a pergunta é óbvia: - “como Cristo andou?” 

Não resta outra opção a não ser recorrer as 4 versões do Evangelho com essa pergunta diante de nós!

Me atrevo a mencionar apenas três características desse “como”:

1. Jesus andou em intimidade com Deus

“Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama ao Filho, e mostra-lhe tudo o que ele mesmo faz; e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis” (Jo. 5:19-20).“Então designou doze para que estivessem com ele, e os mandasse a pregar; e para que tivessem autoridade de expulsar os demônios” (Mc. 3:14-15).

O andar de Jesus não foi “funcional”, mas “relacional”. Na narrativa de João existem pelo menos 116 vezes que a palavra “Pai” (com P maísculo) é mencionada, tal como “Eu e o Pai somos um” (Jo. 10:30).

Andar como Jesus andou é andar em intimidade e comunhão com o Pai, pois Ele é a fonte inesgotável da vida!

2. Jesus andou em compaixão pelo outro e fazendo o bem

A intimidade com o Pai me torna mais humano, sensível, misericordioso e compassivo. Quanto mais Jesus era íntimo do Pai, mais amoroso se manifestava. Aquele que é íntimo de Deus não despreza o outro, não difama o outro, não maltrata o outro. O cristianismo brasileiro está correndo o risco de se tornar uma expressão ditadora da fé. O mesmo risco denunciado por Deus pelo profeta Isaias:

“Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Is 1:15-17).

Jesus “andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. A intimidade com Deus – “porque Deus era com ele” – o fez andar por toda parte fazendo o bem.

“E ele, ao desembarcar, viu uma grande multidão; e, compadecendo-se dela, curou os seus enfermos” (Mt 14:14).

3. Jesus andou pregando e manifestando o evangelho do Reino de Deus

“... andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus” (Lc 8:1).

Pregar e anunciar o evangelho é mais do que um método de evangelização, seja ele qual for. 

É um estilo de vida a partir da vida de Cristo que impregna nossa própria vida!

Pregar sem andar ou andar sem pregar é uma denúncia contra a falta da integralidade de evangelho porque o próprio Jesus, “o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavrasdiante de Deus e de todo o povo. É assim mesmo! Tem alguns que são poderosos diante de Deus (especialmente quando estão no templo) mas se revelam um fracasso diante das pessoas. Outros poderosos diante das pessoas, mas um fracasso diante de Deus. As obras e palavras de Jesus (sempre inseparáveis) eram um ato de poder diante de Deus e do povo. Isso é vida integral.

Conclusão

Certamente deveríamos acrescentar aqui muitas outras características do “como” Jesus andou. Acrescente e compartilhe abaixo nos comentários o que você encontra no Evangelho...

“Esta palavra é digna de confiança: Se morremos com ele, com ele também viveremos” (1 Tm 2:11).“Se morremos com ele” – aquele que diz estar nele... “Com ele também viveremos” – andar como ele andou.

Essa é a real diferença entre uma pessoa RELIGIOSA e um DISCÍPULO(A) de Jesus. A religiosa diz que está em Cristo. O discípulo(a) demonstra que está por meio de uma vida marcada pela intimidade com Deus, compaixão pelos outros, fazendo o bem a todos, pregando e manifestando o evangelho do Reino de Deus.

Muitos afirmam que morreram em Cristo. Mas “nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou”.

A evidência de que alguém que está em Cristo é clara: “andar como Ele andou”.

E aí, passa no teste do Apóstolo João? E o apóstolo Paulo em nada fica distante deste teste: “assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai” (Cl 2:6).


Jorge Henrique Barro é professor e vice-diretor geral da FTSA - Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina/PR. A FTSA tem sido um instrumento "preparar vidas para servir o Reino de Deus". Espero que você possa ser meu estudante!

 

FTSA - www.ftsa.edu.br

 

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